"O convite do Senhor Jesus «Ide vós também para a minha vinha» (Mt 20, 3-4) continua, desde esse longínquo dia, a fazer-se sentir ao longo da história [...] A chamada não diz respeito apenas aos Pastores, aos sacerdotes, aos religiosos e religiosas, mas estende-se aos fiéis leigos, pessoalmente chamados pelo Senhor, de quem recebem uma missão para a Igreja e para o mundo."
Exortação Apostólica Christifideles Laici, de S.S. João Paulo II

terça-feira, 28 de agosto de 2012

PARTILHANDO O EVANGELHO


Evangelho - Lc 1,39-56

3º Domingo, 19 de agosto de 2012
20º Dom. TC – Solenidade da Assunção da Virgem Maria

39 Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa,
dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia
.
40 Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel.
41 Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,
a criança pulou no seu ventre
e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
42 Com um grande grito, exclamou:
"Bendita és tu entre as mulheres
e bendito é o fruto do teu ventre!"
43 Como posso merecer
que a mãe do meu Senhor me venha visitar?
44 Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos,
a criança pulou de alegria no meu ventre.
45 Bem-aventurada aquela que acreditou,
porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu".
46 Maria disse:
"A minha alma engrandece o Senhor,
47 e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador,
48 pois, ele viu a pequenez de sua serva,
eis que agora as gerações hão de chamar-me de bendita.
49 O Poderoso fez por mim maravilhas
e Santo é o seu nome!
50 Seu amor, de geração em geração,
chega a todos que o respeitam.
51 Demonstrou o poder de seu braço,
dispersou os orgulhosos.
52 Derrubou os poderosos de seus tronos
e os humildes exaltou.
53 De bens saciou os famintos
despediu, sem nada, os ricos.
54 Acolheu Israel, seu servidor,
fiel ao seu amor,
55 como havia prometido aos nossos pais,
em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre".
56 Maria ficou três meses com Isabel;
depois voltou para casa
.
Palavra da Salvação.

Comentario do prof. João Luiz Correia Junior – Professor de Bíblia da UNICAP e membro da Comissão

O que encanta neste Evangelho (que coloco em negrito na abertura e conclusão do texto acima) é algo cotidiano, tornado invisível pela cultura androcêntrica em que vivemos: o papel social da mulher nas relações genuinamente humanas de solidariedade, companheirismo, apoio mútuo, amor real que passa pelo cuidado com o outro no dia-a-dia.
De fato, na cultura androcêntrica, em que o homem (sexo masculino) foi colocado no centro como protagonista (aquele que tem o principal papel) nas relações socioeconômicas, sociopolíticas e socioculturais (inclusive religiosa), a mulher foi tornada invisível. Seu importante papel na sociedade fica num plano tão inferior que nem é notado.
Na época de Jesus, ela estava basicamente circunscrita à esfera familiar e da vizinhança comunitária mais próxima. Hoje, além de continuar exercendo importante papel de protagonista nesta esfera privada, a mulher se apresenta com enorme competência nas demais esferas públicas, antigamente demarcadas como atividade circunscrita aos homens.
Maria, mãe de Jesus, no texto acima de Lucas, ensaia estas primeiras iniciativas da mulher, ao sair de casa para ajudar sua prima Isabel. Mesmo que ainda esteja circunscrita ao ambiente familiar, não resta dúvida que ela rompe com as quatro paredes de sua casa para, apressadamente, dirigir-se a uma outra região (montanhosa) e colocar-se disponível na diakonia, serviço solidário em prol de quem precisa... Esse é o papel social mais importante da fé cristã, ensinado por Jesus. Trata-se da demonstração visível do amor a Deus.
Agradeçamos a Maria este seu testemunho de vida e sigamos seu exemplo de valorizar a solidariedade, tanto no ambiente particular, privado, familiar, quanto na esfera pública do trabalho, da Igreja, da política, etc.

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